A inflação volta à rotina dos brasileiros
- Jornalismo Transmídia
- 30 de jan. de 2023
- 5 min de leitura

| Por Leonardo Leão e Pedro Henrique |
Há muitas décadas o Brasil sofre com altas e baixas no índice de inflação e, mesmo com uma considerável rotatividade de governos, o problema até diminui, mas nunca se esvai. Atualmente não é diferente: após um difícil período pandêmico e uma desastrosa administração governamental, o país se encontra com taxas de inflação maiores do que os últimos 5 anos, que acarretam em um aumento do preço dos alimentos e afetam diversas famílias das classes média e baixa.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o preço de alimentos e bebidas já subiu mais de 9% nos primeiros 7 meses de 2022, e com a inflação acumulada em 12 meses (até setembro) de 7,17%. Esta elevação, que minimiza o poder de compra da população e gera uma enorme insegurança alimentar, vem acontecendo devido à crise da pandemia do Coronavírus, que acarreta no aumento do valor dos combustíveis e da energia elétrica e promove, consequentemente, um crescimento no custo de produção dos alimentos essenciais. O aumento do dólar também é um fator emergente que acaba por favorecer o agricultor à exportação, mantendo cada vez menos produtos no mercado brasileiro, e prejudicando mais ainda a população pobre do Brasil.
O que é inflação?
De acordo com Ingrid Barth, economista com especialização nos EUA, a inflação é quando há muito dinheiro circulando na economia e seu valor começa a se deteriorar, fazendo com que a mesma quantidade de dinheiro compre cada vez menos mercadorias. Situação que também agrava problemas sociais, como o de distribuição de renda, onde o trabalhador não tem seu salário real aumentado na mesma velocidade em que os produtos, gerando menos poder de compra e afetando diretamente no bem-estar da população, que é majoritariamente pobre. Isso faz com seja importante uma intervenção para que este índice seja controlado.
Bruno Gondim, economista de 26 anos, explica que os motivos que mais afetam e fazem a inflação e os preços subirem são o consumo, o investimento das famílias e os gastos do governo. “Acontece quando as famílias têm mais dinheiro no bolso para consumir, seja em mercadinhos ou outros tipos de consumo, e o comércio fica mais aquecido, fazendo com que o mercado cresça, contrate mais, diminua o desemprego e as pessoas consumam cada vez mais, aumentando também o preço dos produtos.”
Bruno ainda comenta que se não houver uma atenção do governo e principalmente do Banco Central, existe o risco de a inflação perder o controle do seu valor, que desencadearia aumento de preço nos produtos de forma exorbitante de um dia para o outro, como acontece em alguns países vizinhos ao Brasil, como a Venezuela e a Argentina.
“O meio que o Brasil adota para melhorar a economia nesses casos de inflação alta, é o auxílio do Banco Central. Uma das maneiras de controlar a inflação é a taxa de juros, aumentando-a. Consequentemente as pessoas que tem dinheiro no bolso para consumir, vão estar mais propensas a poupar o seu dinheiro e colocar em investimentos, em títulos no tesouro, na poupança, no mercado financeiro mesmo, porque como a taxa de juros estará maior, terá um retorno maior também, e isso vai freando as pessoas do consumo.”
Fala que também um fator importante é que o Banco Central atua de forma autônoma podendo tomar decisões com base técnica, com profissionais qualificados e com alguns pré-requisitos do Conselho Monetário Nacional e também do ministério da Economia, junto ao Copom (Comitê de Política Monetária) que é um órgão do Banco Central.
E toda essa situação da alta da inflação e as decisões tomadas pelos órgãos competentes influem diretamente na vida dos consumidores brasileiros.
A visão e a situação dos consumidores brasileiros
“Venho sentindo essa alta desde o início do ano, acredito que seja por diversos fatores, mas a guerra na Ucrânia, a própria pandemia e também a política em nosso país.” Comenta Davi Rodrigues, pai de família, classe média e instrutor de pilates.
Falou ainda a respeito da mudança no consumo da sua família que busca enxugar os gastos, comprar só aquilo que é necessário e tentar poupar algum dinheiro para algum momento de emergência. “Estamos optando pelas marcas de alimento mais baratas, diminuímos muito o consumo de carne vermelha, optando pelo frango por ser mais em conta, também tem as verduras que aumentaram muito, leite...”
E esse aumento nos preços dos alimentos vem castigando principalmente aqueles que possuem renda mensal abaixo de 2 mil reais, que abrange a maior parte da população brasileira que ganha em média 1.353 mil reais, divulgado pelo IBGE no dia 10 de junho deste ano.
Rodrigo da Silva, de 24 anos, é porteiro contratado por uma empresa, faz bicos de entregador e ronda, tem uma renda mensal média de 1.800 reais. Ele vem sentindo alta dos preços desde 2020, no início da pandemia. O aluguel consome parte de sua renda, por isso teve que deixar de consumir muitos produtos, comprando os mais essenciais e mais baratos, como a carne que sempre escolhe o de qualidade inferior para adequar ao seu orçamento.
Apesar de saber que tiveram muitos fatores que condicionaram esta inflação alta, ele critica as políticas do governo Jair Bolsonaro, as más influências do presidente quanto ao desrespeito ao isolamento e o incentivo a não vacinação, que atrasaram a volta da livre circulação da população e o reaquecimento da economia. “Não se pode tirar o fato de que a pandemia e a guerra na Ucrânia contribuíram bastante para alta nos preços. Assim como o desejo dos empresários de correrem atrás do prejuízo que tiveram durante a pandemia, e por sermos um país exportador e os preços serem mais caros para o mercado nacional, além do auxílio emergencial, que foi extremamente necessário para que as pessoas que necessitavam, pudessem sobreviver, mas as políticas econômicas e sanitárias que o presidente adotou foram um fator que piorou ainda mais a situação.”
E a situação também atinge de forma assídua os pequenos comerciantes que têm um poder financeiro muito menor que as grandes empresas do ramo.
O pequeno comerciante e as dificuldades enfrentadas
As dificuldades para os pequenos comerciantes, donos de mercadinhos, aumentaram mais ainda com a alta da inflação. O administrador do Mercadinho Vitória, no bairro do Feitosa em Maceió, Washington Berto, de 41 anos, comentou a respeito de algumas dificuldades enfrentadas neste período.
“O movimento diminuiu e muito aqui. A margem de lucro que era de 20% diminuiu 7%, porque tive que baixar o preço consideravelmente para não perder certos produtos, e não tem mais sobra para investimento. É comendo e assando como no ditado. Antigamente até se tinha como guardar algum dinheiro para investimento, hoje mais não. E acredito que um grande fator para tudo isso tenha sido a pandemia. Tive endividamentos, mas foram poucos e consegui quitá-los."
Washington ainda comenta a respeito da grande quantidade de afiliadas de grandes supermercados atacadistas que vem crescendo na cidade e por todo estado. Explicou que um grande fator para estarem vindo é a isenção fiscal que estão recebendo por abrirem mais estabelecimentos na cidade. Assim eles podem aliviar no preço dos alimentos vendidos em atacado, atraindo as pessoas, e também diminuir custos com funcionários, às vezes até colocando os jovens do programa “Jovem Aprendiz”, que recebem metade do valor de um funcionário normal. E o aumento dos lucros da empresa favorecem a instalação de mais outras.



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