Vestindo identidade: A originalidade e resistência estampadas na moda afro
- Jornalismo Transmídia
- 30 de jul. de 2023
- 2 min de leitura
Por Míriam Pimentel

O Julho das Pretas, para além da movimentação e reafirmação do espaço de mulheres pretas na sociedade, celebra a cultura do povo negro. Trazendo a música, dança e moda afro, o evento carrega o peso da ancestralidade que ecoa no presente e ecoará nas gerações futuras. A moda afro atual, por exemplo, tem características acentuadas de povos antigos do continente africano como indumentárias coloridas, pinturas corporais, adornos e adereços. Muitas vezes feitas a mão, estas vestimentas foram e são uma forma de resistência às intervenções de colonizadores de origem europeia.
A partir do século XVII, a influência de trajes africanos chega ao Brasil. Tecidos estampados, roupas mais folgadas com gola V, bordados e rendas ganharam espaço entre o povo afro-brasileiro. Mas não só os tecidos estampados são característicos da cultura afro, usar roupas brancas em momentos de festividade é uma tradição africana que foi popularizada em nosso país.
No Julho das Pretas de 2023, que comemora 10 anos, conversamos com algumas empreendedoras que participaram do evento na Reitoria da Universidade Federal de Alagoas sobre as roupas e adereços que fazem parte do seu catálogo de vendas.

A empreendedora Wilma, 38, que já falou sobre empreendedorismo por aqui, explica um pouco do que vende em sua loja, chamada Biju da Nega. Ela iniciou as atividades em 2017 vendendo apenas brincos, turbantes e demais acessórios. Um ano depois, diversificou seu catálogo, trazendo vestidos, blusas, calças e bolsas, todos com bastante estampas, o que hoje é o carro chefe do seu negócio. A profissional menciona que seu diferencial é a variedade de produtos afro, pois seu catálogo é totalmente voltado para esse público e é para ele conhecer seu trabalho que ela participa desses eventos: “É muito difícil a gente ter visibilidade sem ser no mês de novembro, então estar nesses eventos é muito mais pela divulgação. Tem gente que é de Maceió e não me conhecia, hoje está conhecendo”, explica Wilma que trabalha sozinha e atua online através de plataformas como website e Instagram. Para conhecer mais a sua loja, siga @biju_danega.
Conversamos também com a artesã Roberta, 42, que trabalha com o bordado de filé há mais de 30 anos. O filé é um artesanato feito sobre uma rede onde fios são atados através de nós. Essa arte é tradicional de Alagoas e os artistas residem, em sua maioria, no bairro do Pontal, localizado na capital Maceió. Roberta, que cresceu nessa região, aprendeu desde cedo a fazer o bordado e hoje é sua principal fonte de renda. Trabalha junto de familiares, criando blusas, bolsas, jogo americano para mesa e demais produtos. Para ela, o evento abre espaço para a mulher preta mostrar a que veio: “O evento representa a divulgação da força negra em evidência. É a primeira vez que participo e está sendo maravilhoso”, relata.

Roberta e o resultado dos seus bordados de filé. Créditos da foto: Míriam Pimentel



Comentários