Pautas Raciais: quem tem o lugar de fala?
- Jornalismo Transmídia
- 28 de jul. de 2023
- 3 min de leitura
Tema é colocado em debate nas celebrações ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, na Ufal.
Por Hemilly Souza
O ‘lugar de fala’ é um termo que se popularizou no Brasil após o lançamento do livro da escritora Djamila Ribeiro, em 2017. Para a escritora, lugar de fala se refere à discussão de poder considerando o papel do indivíduo na estrutura social. Nesse contexto, a ideia do lugar de fala tem por objetivo oferecer visibilidade aos sujeitos que vivenciaram em aspectos sociais os temas discutidos.
O termo foi pautado, nos dias 25 e 27 de julho, durante os debates em celebração ao Dia de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, no auditório da Reitoria da Universidade Federal de Alagoas. O auditório, com capacidade para 300 pessoas, esteve quase vazio ao longo das programações, nessa circunstância, os palestrantes fizeram colocações sobre o que é lugar de fala nos cenários raciais e a quem pertence esse lugar.

Auditório da Reitoria, terça-feira (25) — Foto: Hemilly Souza
Para a professora Rosa Correia, a ausência do público nessas apresentações se dá devido à crença de que as pautas raciais só podem ser discutidas por pessoas pertencentes aos grupos: “Lugar de fala não é o espaço apenas para as pessoas pretas falarem sobre o racismo, o lugar de fala pertence a todos desde que reconheçam os seus privilégios”, disse Rosa.
As palestras em homenagem à mulher negra contaram com um público majoritariamente feminino e negro, permitindo a análise de outra vertente referente ao lugar de fala: “onde estão os homens?”. O professor Vagner Bijagó, problematizou a ausência do público masculino nessas discussões, pois a violência de gênero é uma realidade severamente enfrentada pelas mulheres, sendo ainda mais grave quando é realizado o recorte entre as violências de gênero e raciais sofridas pela mulher negra.
“Estou aqui como um homem negro (...). Então se o homem negro ainda pratica o machismo, se estamos discutindo a questão da mulher, ele também tem que se fazer presente. Agora, não enquanto protagonista, mas sim enquanto aquele que reconhece o problema no sentido de ajudar na sua solução”, diz Bijagó.
A ausência de pessoas brancas nos debates também permitiu outra reflexão, existe a necessidade de abordar assuntos relativos às lutas raciais na presença do público causador desses problemas, porque se os brancos não estiverem presentes para ouvirem os questionamentos, não compreenderão quais são os caminhos para desfazer a estrutura racial que os privilegia, logo o racismo continuará enraizado e se perpetuando.

Reitoria da Ufal, quinta-feira (27) — Foto: Hemilly Souza



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