Bancada Negra, em parceria com Neabi Ufal, realizam o evento Julho das Pretas.
- Jornalismo Transmídia
- 26 de jul. de 2023
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O evento acontecerá nos dias 27 e 28 de julho no auditório da Reitoria da Ufal, no Campus A. C. Simões e contará com palestras, feiras e apresentações.
Por Alice Aciole e Bruna Tojal
No mês de julho, celebra-se o "Julho das Pretas", um movimento que busca dar visibilidade e reconhecimento à luta e à resistência das mulheres negras. A data foi escolhida em homenagem ao 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, que também coincide com o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra no Brasil.

Foto: Reprodução/Instagram
Julho das Pretas é um evento especial realizado na Universidade Federal de Alagoas (UFAL) em homenagem à memória de Tereza de Benguela, a icônica líder quilombola do século XVIII, e para celebrar a luta e a resistência das mulheres negras.
Neste contexto, o movimento ganha força ao destacar as questões enfrentadas pelas mulheres negras em diferentes esferas da sociedade, dando voz a suas histórias e reivindicações. O evento contará com palestras de pautas antirracistas, além da “Feira Afroempreendedora”, em parceria com o coletivo Nosso Ilê, apresentação de capoeira do grupo “Centro Lua São Jorge”, e mesas com roda de conversa em interação com os participantes.
O "Julho das Pretas" tem como objetivo central promover discussões sobre a interseccionalidade de gênero e raça, evidenciando os desafios enfrentados pelas mulheres negras na sociedade contemporânea. A iniciativa busca, assim, desconstruir estereótipos, combater o racismo e o machismo, e fortalecer a autoestima e a auto aceitação entre as mulheres negras.
Alycia Biana, membro da bancada negra de Alagoas, relata em suas redes sociais: “Nós vamos ter várias mesas que vão discutir a posição das mulheres negras na sociedade alagoana, onde nós vamos também entender possíveis caminhos de reparação e de bem viver para as mulheres negras aqui nesse território.”
O evento busca estabelecer um espaço de reflexão e engajamento, conscientizando a comunidade acadêmica e a sociedade em geral sobre a importância do combate ao racismo, ao machismo e à discriminação racial. Além disso, o evento visa fortalecer o protagonismo das mulheres negras em diferentes áreas e inspirar novas gerações de lideranças negras.
Quem foi Tereza Benguela?
Tereza de Benguela foi uma líder quilombola brasileira que viveu no século XVIII, na região que hoje é o estado do Mato Grosso. Ela se destacou por liderar o quilombo de Quariterê, também conhecido como Quilombo de Piolho, localizado no Vale do Guaporé, próximo ao rio Guaporé.
O quilombo foi fundado por volta do ano 1740, após um período de intensa resistência dos escravizados que fugiam das fazendas da região em busca de liberdade. Tereza de Benguela assumiu a liderança do quilombo após a morte de seu companheiro, José Piolho, e se tornou uma figura importante na resistência contra a escravidão e a opressão.
Tereza de Benguela é lembrada por sua habilidade de organização e governança do quilombo, sendo conhecida por sua liderança forte e determinada. Sob seu comando, o Quilombo de Quariterê prosperou e resistiu por mais de duas décadas, mantendo-se como uma comunidade livre e autônoma. O quilombo desenvolveu uma economia própria, cultivando alimentos, produzindo artesanato e comercializando com outras comunidades da região.

Tereza de Benguela — Foto: Reprodução/Google



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